terça-feira, 17 de maio de 2011

2.1 "Genie - The wild child"

A ver “Genie The Wild Child” reflectimos sobre vários aspectos. O documentário tratava-se da história de uma menina que passou a sua infância fechada no seu quarto. Estudou-se então a criança que durante a primeira parte da sua vida foi criada num ambiente severamente privado e esta tornou-se num caso de teste para uma teoria importante e polémica do desenvolvimento da linguagem, um período determinado biologicamente critico para a aquisição da linguagem. A Genie foi descoberta com 13 anos, e desde os seus 20 meses de idade que a sua vida foi passada amarrada a uma cadeira. Ninguém falava com ela, era alimentada pela sua mãe cega e era punida fisicamente se fizesse algum som.
Quando foi descoberta os psicólogos e linguistas tentaram ensinar-lhe a falar mas embora tenha aprendido a usar muitas palavras e a combina-las em frases simples, ela nunca se tornou proficiente em sintaxe. Ao que parece o factor crucial por trás da sua falta de desenvolvimento da linguagem foi a idade relativamente avançada com que ela aprendeu a língua. Genie foi criada no isolamento extremo e foi privada de qualquer exposição social da linguagem.
Nos cuidados de cientistas ela tornou-se num estudo de um caso extraordinário no desenvolvimento da linguagem que deixa a questão: a linguagem tem um período especificamente definido para ser desenvolvida?

2.Hereditariedade & Meio

2.1 Interacção da hereditariedade – meio
        A hereditariedade é o conjunto de processos biológicos que asseguram que cada ser vivo receba e transmita informações genéticas através da reprodução.
        A hereditariedade pode ser específica quando é responsável pela transmissão de agentes genéticos que determinam a herança de características comuns a uma determinada espécie e pode ser individual quando designa o conjunto de agentes genéticos que actuam sobre os traços e características próprios do indivíduo que o tornam um ser diferente de todos os outros.
        Contudo, o meio social desempenha um papel determinante na construção da personalidade.
1.5. Gestaltismo
Psicologia da Gestalt é uma teoria da psicologia iniciada no final do século XIX  que possibilitou o estudo da percepção.
Segundo a Gestalt, o cérebro é um sistema dinâmico no qual se produz uma interacção entre os elementos, em determinado momento, através de princípios de organização perceptual como:
- proximidade,
- continuidade,
- semelhança,
- segregação,
- preenchimento,
- unidade,
- simplicidade,
- figura/fundo.
Sendo assim o cérebro tem princípios operacionais próprios, com tendências auto-organizacionais dos estímulos recebidos pelos sentidos.
1.4.Watson e o comportamento
“O que nós somos é o que fazemos, e o que fazemos é o que o ambiente nos faz fazer.”
John Watson demarcou-se de psicologia tradicional, que tinha por objecto o estudo da mente, da consciência, através da introspecção. Declarou a necessidade de a psicologia se construir como ciência autónoma e objectiva. Para isso, definiu como objecto de estudo da psicologia o comportamento do Homem e do animal, pois para Watson apenas o comportamento era objectivamente observável.
Considerou que o ser humano é essencialmente produto do meio ambiente, defendendo que os factores hereditários seriam irrelevantes.
Fundou então a corrente Behaviorista que defende que o comportamento depende exclusivamente de uma situação, que este é o conjunto de respostas a um conjunto de estímulos.
1.3. A psicanálise
No inicio do século xx, surgiu a perspectiva psicanalítica de Freud, dando importância e atenção às “forças” inconscientes que motivam o comportamento humano. Baseado na experiência clínica, Freud acreditava que a fonte das perturbações emocionais residia nas experiências traumáticas reprimidas nos primeiros anos de vida. Assumia que os conteúdos inconscientes, apenas se encontravam disponíveis para a consciência, de forma disfarçada, como por exemplo o sonho.
Neste sentido, Freud desenvolveu a psicanálise - uma abordagem terapêutica que tem por objectivo dar a conhecer às pessoas os seus próprios conflitos emocionais inconscientes. Propõe-se assim, à compreensão e análise do homem, compreendido enquanto sujeito do inconsciente.
A psicanálise possui como objecto de estudo o comportamento anormal ou a psicopatologia/consciente e adopta como principal método a observação clínica / método clínico e não a experimentação controlada de laboratório (até aí usada).
Este método fazia uso da hipnose. Insatisfeito com o método, Freud desenvolveu o que é hoje a base da técnica psicanalítica: a livre associação. O paciente é convidado a falar o que lhe vem à mente para revelar memórias reprimidas.
Freud perspectivou o desenvolvimento da personalidade apresentando uma concepção psicossexual segundo a qual a sexualidade manifesta-se desde o nascimento. Definiu cinco estádios de desenvolvimento psicosexual: oral, anal, fálico, latência e genital. A cada estádio corresponde uma zona erógena, sendo marcado pelo confronto entre as pulsões sexuais e as exigências sociais.

Curiosidade:
"O caso de Anna O"
Anna O, rapariga de 21 anos , dotada de alto grau de inteligência. Manifestava no curso de 2 anos da sua doença, uma serie de distúrbios físico e mentais. Sofreu uma grande paralisia dos membros superiores, dificuldade visual e uma perda de capacidade de beber, apesar de sentir muita sede.
O distúrbio apareceu pela 1º vez, quando a paciente cuidava do pai, por quem nutria um amor carinhoso, durante uma grave doença que o levou à morte. Inicialmente este caso foi estudado por Drº Breuer mas após um ano de terapias/estudo foi passado para Freud que através da hipnose conseguiu ajudá-la aliviando alguns sintomas, mas nunca fazendo com que este desaparecesse, porque a hipnose alivia mas não atinge a raiz do problema. Era praticamente impossível chegar directamente ao primeiro e principal trauma, sem antes esclarecer todos os que vinham em seguida.
Um dos sintomas mais peculiares manifestados foi o facto de esta paciente não conseguir beber água, apesar de ter sede. Quando esta situação se prolongava por algumas semanas, numa sessão de hipnose, ao falar duma governanta inglesa que não gostava, a paciente contou sobre uma ocasião em que entrara no quarto da governanta e vira o cão desta, que abominava, bebendo água de um copo.
 Assim, depois de dar razão à fúria contida, pediu um copo de água e bebeu sem qualquer dificuldade, e despertou da hipnose com o copo na boca. A partir de então, o sintoma desaparecera para sempre.
1.2 Freud

“Não somos apenas o que pensamos ser. Somos mais; somos também, o que lembramos e aquilo de que nos esquecemos; somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos, "sem querer".
 O inconsciente freudiano é uma noção tópica e dinâmica. Este
mostrou que o psiquismo não é redutível ao consciente e que certos “conteúdo” só se tornam acessíveis à consciência depois de superadas certas resistências.
        Define como uma zona do psiquismo constituído por desejo, pulsões, tendências e recordações recalcadas.
Nos primeiros trabalhos sugeria a divisão da mente em duas partes: consciente e inconsciente.
Nos trabalhos posteriores, reavaliou essa distinção simples e propôs os conceitos de id, ego, e superego , três hipotéticas instâncias da personalidade.

Id - Fonte de energia psíquica e o aspecto da personalidade relacionado aos instintos.
- Noção inicial de inconsciente;
- Existe desde o nascimento;
- Parte primitiva e menos acessível da personalidade humana;
- Entre as fontes poderosas estariam os instintos do sexo e da agressividade;
- Buscam a satisfação imediata sem tomar conhecimento das circunstâncias da realidade.

Ego - Aspecto da personalidade responsável pelo controle dos instintos
- Representa a racionalidade;
- Forma-se durante o primeiro ano de vida;
- Tem consciência da realidade, manipula-a e dessa forma regula o id;
- Obedece ao princípio da Realidade (orientando-se por princípios lógicos e decidindo quais os desejos e impulsos do id que podem ser realizados);
- Não existe sem id, ele extrai a sua força do id.

Superego - Aspecto moral da personalidade, produto da internalização dos valores e padrões recebidos dos pais e da sociedade
- Forma-se entre os 3 e 5 anos;
- Interiorização das normas;
- Resulta do processo de socialização, da interiorização de modelos (pais…);
- Tenta inibir a completa satisfação com o id.

1. Introdução à Psicologia

1.1     Um pouco de história da psicologia...
Compreender a forma como os seres humanos se desenvolvem, comportam, pensam e sentem implica o contributo de várias perspectivas. Wundt  “o pai da psicologia moderna”
É indiscutível o papel de Wundt na história da psicologia: afastou-se do pensamento dominante da época procurando autonomizar a psicologia da filosofia. Nesse sentido, definiu um objecto e um método de investigação com a finalidade de dar um estatuto de ciência à psicologia.
Wundt procurou constituir a psicologia como ciência autónoma, definindo como o seu objecto a experiência consciente. A consciência era constituída por processos mentais, sendo as sensações os seus elementos constituintes. Estas, organizavam-se em processos psicológicos complexos.
Para conhecer objectivamente e experimentalmente a consciência, Wundt instituiu como método a Introspecção controlada: auto - observação em contexto experimental.